As horas

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Onde vives tu

meu sangue

meu rio

meu ar constante


Onde acabas

é de onde  o teu fôlego

de que universo vem

a tua seiva


Sabe-me

sabe-me por dentro

diz o meu nome

diz-me o voo do insecto

diz-me a noite


Como contas os dias

quando acordas


Leva-me

dos meus medos

de mim mesmo

de onde estou

das minhas horas


Salva-me

de ser ainda cedo

do meu sangue

do que digo


Reclama para ti

as minhas mãos

o meu cabelo raro

aqueles passos


Sê meu alimento

a minha água

o meu caminho


Deixa avançar sobre o castelo

todas as armas

o inimigo

o fim da glória


Silêncio amado

acorda

que amanheço.
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(também aqui)

Mar em ondas

A minha Mãe


Sai-me do corpo uma ténue lembrança da cidade
Fujo dali como quem pode alcançar a sapiência
Deixando para trás a altivez, toda a ciência
Diluindo nesta coisa de estar longe a humanidade.

Vim reconhecer-me numa praia pejada de humidade
Onde não há vozes que se oiçam, só as ondas
E essas dizem: “Encontra-te por dentro, não te escondas
Do que sempre foste desde a mais pequena idade”.

Da musgosa memória dos arquivos não me fio
Nem da pura lã virgem das minhas camisolas
Agora rente ao mar as breves ondas são corolas
Molhando as lombadas dos livros pelo estio.



As quatro margens do rio

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Quero uma janela à minha porta
um halo de luz
determinado
quatro margens de um rio envidraçado
quero com calma
perceber a minha cruz.

Quero uma montanha deitada
à minha sombra
num jardim desta cidade
que beba água do rio emoldurado
quero o vergão da palavra ronronada
pedindo sono ao colo que se dobra.

Quero o grito verde dos pinhais
assobiado no escuro do medo
dos silvos e dos troncos
incendiado no verão dos condenados
quero a chama acesa desse inverno
carvão soprado, a ponta do meu dedo.

Quero a distância de um só salto
a lúgubre conquista
no raso campo da batalha justa
seara de corpos trespassados
quero a vitória cantad’à janela
e que nenhum dos quatro ventos lhe resista.
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Gente, mar e pedra

Foto: J.E.O., Santa Apolónia, Lisboa, Março de 2011
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Uma cidade é pedra
resolve os seus vícios abraçando o frio
faz concha das mãos
enquanto atropela as almas
nela vivas poisando.

Uma cidade é mar
quando resvala para o fundo
e bebe às golfadas
o ar já rarefeito do dia
depressa cansado da andança astral.

Uma cidade é gente
pisando sempre caminho conhecido
embalada na surpresa de um beco
nunca saciada de vícios e desmandos
rezando à pressa com os joelhos no futuro.

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Tormento

Foto: J.E.O., Soalheira, Abril de 2011


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Desconfiar da flor para a qual se olha
É um tormento
Quando ela é verdadeira e se consegue.
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O amor, esse pecado

"O amor, esse pecado". Foto do original

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Um só momento me encanta
um só momento,
estrela da tarde,
                    o abraço

                    o beijo

                    a manta

                    o respirar salgado
                    o balanço
                    o formigueiro faminto do desejo que não cansa.

O amor, esse pecado,
                    meu bem,
                    é o momento.
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Não confundir

"Não confundir". Foto do original

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A noite é quando os corpos adormecem
digo
os dos pássaros
que das árvores

essas

crescem subindo em sono constante.

Sob o véu azul do seu veludo
não há asas que batam
ou folhas espreguiçando-se.

Sim, a noite tem um sinal
nas costas
uma curva apertada
na alma
sente uma ligeira dor
a cada hora
prende os longos cabelos
no umbral de cada porta.

Para que não haja quem se engane
e diga do dia as mesmas coisas.
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Bons conselhos

Foto: J.E.O., Soalheira, Abril de 2011


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Esquece toda a dúvida
                  o remorso
                  o copo vazio ao fim da noite
                  o alcatrão silencioso e a paisagem

Recupera para ti toda a vontade
                  o primeiro gole
                  ainda a sede
                  a viagem que te fez de encontro ao sul

Amplia o arco dos teus olhos
                  o ar que agora inspiras
                  o alcance novo dos teus passos
                  a fé ainda morna nos teus bolsos

Guarda contigo a cor dos dias
                  as vagas cortadas pelas quilhas
                  o vento a velejar sobre as marés
                  o azul azul que te encontrou. 

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Sobre o silêncio


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Sobre o silêncio
nada mais há a dizer.

A não ser que mata
e destrói o que nunca se quis ouvir
ou tudo o que está mesmo quase a ser dito.

Esse estar calado das bocas,
ferrugem insistente,
lapa nas paredes da garganta
barragem às palavras que persistem no escuro do estômago.

O discurso nunca proferido.

Constante animal de palco,
oculto nas pequenas e mais teimosas heresias,
camuflagem da impotência e da revelação.
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Metal, tambor, metal

"Metal, tambor, metal". Foto do original

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Fora de casa é já dia pleno
mas há uma noite que persiste
            cá por dentro
há esta fanfarra
a percorrer as minhas veias
não a oiço nem vejo
apenas lhe sinto o latejar
no corpo estreito.

Metal, tambor, metal
e mais silêncio

É estranha a festa
quando o metabolismo é imperfeito.
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Para que o caminho se abrisse (excerto)


(...) 
Se fosse viva a pedra que lançaste
e da tua mão brotasse apenas água
para que o caminho se abrisse
onde estariam os meus olhos?
(...)



A Cor Líquida


A António Ramos Rosa

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A cor emerge

              líquida

                         frágil

                                  angular

              marca

                        digital

                                  da Terra

             leve

                       temperatura

                                  da palavra.

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Poros são pele

"Poros são pele". Foto do original

 A Adília Lopes

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Os poros da pele
são poros,
pontos
pele em pontas
pintas, pêlos
e sinais.

São pele
os poros,
nada mais.
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Território de lobos



Soalheira, Outubro, 2010



Descanso em território de lobos e ovelhas. Entre pinheiros bravos e colossos de granito. Sento-me e o sol avança mais um pouco, senhor da vida toda, do momento. Que saudades hei-de eu ter destes instantes, quando o futuro vier comprar-me o que não tenho...
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Outro passo, novo rumo


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Sinto apertados os cabelos. Passa-me um vento invasivo sobre a face. Encolho os olhos para os proteger desse intruso ainda silencioso e invisível. Nasce o arrepio. Dei dois passos entretanto, pisei um novo chão, tracei um rumo. Amadureci na vida. Foram dois segundos, apenas, dois segundos. E tudo mudou. Serei já outro nesse entretanto imperial, invisível também mas presente como nenhuma outra presença. Fosse a minha vida numa arena e eu protestaria da injustiça dessas regras do jogo que dão ao adversário o poder de não se dar a ver, de atraiçoar, de bater sem pré-aviso e de com isso me fazer mais velho, mais fraco, menos presente. Outro passo, novo rumo. Mas, afinal, ando perdido?
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Entre vírgulas e pontos


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Perfume de nenhures, almas, silêncio. Sombra.
Sideral, livre, em branco, público, interior, de tempo. Espaço.
Literal, aprisionado, preenchido, exterior, vácuo. Negro.
Procura, interrogação, busca, digestão, confusão. Vazio.
Dúvida, desprezo, mágoa, saliência, curva, saída. Morte.
Luz, paisagem, flor vermelha, lírio, terra, onda, vento. Vida.
Gume, dedo, corte, dor, sangue, espasmo. Cura.
Mão, outra mão, olhares, toque, afago. Beijo.
Medo, corpo, velocidade, suor, angústia, pressa, frio. Fuga.
Vertigem, cume, verde, pedra, monte, impulso. Salto.
Divisória, estupor, território, amor, fronteira, dor, linha. Nada.
Nascente, início, parto, origem, espasmo, suspiro. Fim.
Jogo, falácia, regra, caminho, vitória. Mito.
Dança, sala, convite, encontro, enfado. Desamor.
Raso, muito, caso, fruto, raro, fortuito, caro. Fio.
Nascente, ocaso, fio, vaso, suco, prazo, vil, acaso. Coito.
Golpe, traço, murro, abraço, ordem, passo. Grito.
Conto, oito, sempre, escasso, sobra, tudo, mostra. Vago.
Pico, morse, saco, trilho, velho, gomo, guerra. Sede.
Cova, grão, caule, pétala, asa, voo, longe. Terra.
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Entre dois


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De longas e intermináveis perguntas é desenhado o perfil de cada um de nós. O meu. O teu. E do entretanto, o que é feito? Do que fica a meio de nós dois? Será de sombras e vento limpo, de cascas de pinheiro, terra batida ou uva pisada isso que fica? Onde não estamos, o que há? Perfume de nenhures, almas, silêncio. Sombra. Gosto do que me dizes, quando o dizes. Esse é momento em que o estar parado das coisas não tem lugar. Esse é o máximo e o mínimo encontrados. Nesse entretanto sei-te aqui e isso me basta. Não vou passear, não saio para respirar nem para matar a sede, não necessito do mais que haja, se o houver. Porque me deste o que me falta. Amordaça o que digo e vê se daí sobeja ainda um sopro de ar. Vê lá. Sobrou? Viemos de um lugar qualquer que nem sonhámos e aqui somos, soldados de um posto que não quisemos e de que só pretendemos fugir. Corre. Vem por aqui, pisa sobre as marcas que deixei e engana o mundo inteiro que cegamente te persegue. Não é bom? Que bem que sabe, esse fugir silencioso que te dás. Dá-me o teu espaço em troca dos meus pés. A longa corda do meu caminho haverá de pertencer-te – cada memória, os meus dias, o fôlego que já gastei. O respirar. Dou-te tudo a troco de um lugar que desconheço e quero meu. Aceitarás o que te peço? Mas, afinal, o que te dou?
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No ar

Vens ter aos meus olhos Como sombra E eu beijo-te de longe através da poeira poisada no ar.
Se é o teu corpo o que abarco
Baloiço-me agora Enquanto te beijo de longe no ar já sem poeira.
Baloiço-me a caminho dos teus olhos Vens ter com o meu beijo E eu beijo-te através da poeira enquanto pairo no ar.
Lisboa, 2009

Mulher

Os teus olhos largos, lancinantes como ilhas, estão perdidos e procuram. Que será da sua busca nem eles saberão. Ou tu.

Epitáfio

A espaços, entendo-me. E confio no juízo que faço das coisas. Posso parecer distante, mas estou por perto. Trago dentro de mim o mundo que escolhi como casa. E essa é tarefa larga, solitária, silenciosa. Prescrevo para mim, como remédio, medicação exacta. E a terapia sustenta-me a consciência e faz-me percorrer caminhos, dar saltos fugazes ou calar gritos prestes a acontecer. Dissolvo-me com água após as principais refeições. E recupero. Aguardo apenas por uma chamada do meu corpo. Quando for hora, lá estarei para lhe dizer que estou contente com o que fui e que a carga que, afinal, me fez mover se manteve intacta e forte e solidária. O meu corpo ao meu corpo. A espaços, entendi também as fórmulas do amor e aprendi a desfazer-me de desenganos. Fui íntegro nas palavras que proferi e nada fiz que matasse noutro alguém a expectativa de qualquer promessa. Dormirei em paz. A minha alma saberá onde encontrar-se. Adeus. (Texto escrito em Lisboa, Dezembro de 2008)

Compromissos

Porque insistimos em tentar limpar o erro, a má memória, o descalabro ou desencanto, pergunto. Somos empurrados para esse exercício quase imposto de repor a legalidade dos factos quando o que verdadeiramente procuramos é, afinal, vencer a etapa seguinte no caminho. Somos levados a crer que temos obrigações para com o outro quando, na realidade, não assumimos compromissos desde que nascemos e com absolutamente ninguém. Nem connosco. Tenho de deixar de fumar.

E há uma caixa dentro do meu corpo

Encontrei-me de frente com o meu próprio labirinto. Descobri caminhos meus nunca trilhados. Lancei-me num longo arranque na busca de mim mesmo. Iniciei-me no princípio de mim. Peguei na ponta solta dessa interminável meada que sou eu. E há uma caixa dentro do meu corpo. Desmultiplicada por mil. Por um milhão. E tenho de abrir todas e cada uma.

Que feito foi deste cigarro?

Quem somos a mais do que somos? Para além do corpo a que demos um nome? Para além de nós mesmos? A dúvida impera e mascara a angústia permanente em que, por força, se transforma. Em caixa ressonante. Somos a constante reticência. E essa armadilha, a armadilha do corpo, escondemo-la connosco. Na dúvida. Nessa maresia de não saber. Numa tontura efervescente que não cessa. Algum cansaço depois da caminhada. Alguma dúvida. Ainda. Subsiste. Põe-se o sol. E eu abro um novo maço de cigarros. Um cigarro. Na mão. Aceso. Incandescente e moribundo desde a nascença. Que feito foi deste cigarro?

Meteorologices

Cruzei-me um destes dias com um vento fraco, a moderado, de Nordeste. Estava que não podia. Que não podia parar por ali. Seguiu viagem. E eu com ele. Fiquei. Amedrontado. Amesquinhado. Amarrotado por dentro. Deslavado. Por passar. Mas, que raio...

Apeteceu-me recordar estas palavras. Ponto.

Frente aos meus olhos, prédios. De cores vagas e antigas. Desgastados. Pedem amor, estas casas. Pedem, mas ninguém lho dá. Porque o amor, por aqui, é coisa vã, caso perdido. Não existe, nem brota do betume negro das estradas ou da luz dos candeeiros de rua. Por aqui o amor fugiu. Fez-se, porventura, a outros lugares. Deu-se a outras paragens, vagabundo de outras liberdades. O amor tinha sede. Foi beber água a fontes de aldeias, a minas e nos montes. Fez-se ao mundo, sedento de outros ares. Não passou por aqui. E, se passou, fez-se invisível, para não ser reconhecido. Para que não fosse confundido com as pedras da calçada nem com as persianas corridas das janelas. O amor não é das cidades. É fruto, seiva, caule e raiz do perfume das searas. O amor é na gândara livre. Na cor fria, lúcida e transparente dos riachos. O amor veste-se dos campos, aquece e arrefece ao ritmo de chuvas e estios, não se dilui no betão cinzento dos prédios. O amor quer espaço para saltar de corpo em corpo, de beijo em beijo. Quer-se sadio, firme e desinteressado. Verdadeiro. Entre uma árvore e um arranha-céus escolho o que me dá sombra e alimento, o que reage às tempestades e se balança com o vento. O que precisa de mim para saciar a sede. Escolho o que morre de pé e me dá lume. Nenhum prédio me dá carcódias ou folhas secas ou frutos. Neles morro de fome. Prefiro o amor de uma raiz de castanheiro ao plástico fingido que ornamenta os cantos de uma casa. Nunca beijarei uma parede. Antes uma folha morta de roseira. Mil vezes uma roseira morta a um prédio altivo. Sou ainda eu quem fala aqui.

Desinfectadas almas

Amarrar esse escritório de escombros e gavetas é o que é preciso que se faça. Atacar. Desarrumar a turba feita de urros, desfeita de sentido. Adormecer sem ordem nem sossego. Volúpia celeste, incandescente e fria. Sussurrante. Penetrada. Renascer. Vede-vos. Ofegantes desse exercício de marear corpos e peles. Miseráveis carícias. Impenetráveis cadáveres de prazer. Frígidas frigideiras. Mingau. Pó de talco. Arroz sem bicho. Limpinhos esses corpos. Desinfectadas almas.

Foto (c) Joaquim Eduardo Oliveira, Tricolori, Lisboa, Junho, 2008

Elefante. Leão. Gibóia. Joaquim.

Menina Mariana telefonou, diz a criada. Que sim. Que deixe mensagem. Mas se já ligou... Que para a próxima, se próxima houver, digo eu, que ouvi toda a conversa. Esse ocupar oco do tempo e do espaço. Esse fio de navalha romba que nada corta, que nada tira e nada dá. Esse vazio. De que húmus é esta gente feita? Procurará um sentido para a vida? Mas, que raios... Que um raio me parta. Essa era boa. Que um raio me partisse. E eu, ali, de metades feito, em viagem. Quebrado. Dividido. Impróprio para consumo individual. Não me poderia afastar. Que é do bilhete? Para onde? Ah, esse comboio já saiu, há coisa de quinze minutos. E agora, o meu rico dinheirinho. Vou-me queixar. Oh, mãe! E um raio partiu-me. E, assim, fulminado pela mão pesada de uma nuvem, entrei numa gruta de fogo. Incandescências. Milagres. Profecias. E morri. Ali mesmo, inhozinho da silva. E era eu. Re-morto. Desnascido. Pura imagem de mim mesmo. Elefante. Leão. Gibóia. Joaquim.

Foto (c) Joaquim Eduardo Oliveira, A23, Soalheira, Fundão, 2008

Definitivos. Provisórios.

Pois não. Não se encontra resposta. Tudo se subdivide, até ao limite indivisível do limite já desmultiplicado. E isto é o quê? Baterias? Ritmos? Eternas divisões. Marcas de água. Registos. Carimbos de certeza. Definitivos. Provisórios. Exactidões, imprecisões. O momento mais humano. A certeza. Do fim da incerteza. A inconsequência. A inoportuna inconsequência das palavras.

Foto (c) Joaquim Eduardo Oliveira, Quinta da Luz, Lisboa Maio 2008

Fernando Pessoa, 120 anos a 13 de Junho

Acaba-se-me a paciência. Regresso. Que horas são, afinal? 17 e 23? Outra vez? Ainda? Despejo mundos sobre a paisagem clara. E já não volto. Dizem-me. Vou apanhar-me. E corro. E não me canso. Que não me faz falta o cansaço. Não o comprarei em saldo. Ou em época baixa. Deixem-me correr, porra. Deixem-me respirar. Quero ser peixe. E respirar. Assim, de boquinha a soprar baixinho. Como que a dar um beijo no vazio. Constante. No vácuo imenso do fundo do tanque do aquário. Aproxima-se de mim uma dúvida. E esfrego as mãos. E respiro sem querer. Olho para o lado, fitando a janela. Mas sem olhar. Sinto aqui uma picada na barriga da perna. Aguarde, por favor. Vou ter de coçar isto. Que não passa. Chiça. Que não passa. Bom. Próóximôôô.

Foto (c) Joaquim Eduardo Oliveira, Velho BUS, Miraflores, Maio 2008

O furacão da dúvida

A marca circular sobre o corpo. O caminho por onde segue. O rasto. O sémen deixado sem dó pelo caminho. A semente inacabada. Porque essa dúvida se mantém. Permanente. Perene. Mas circunstancial. Ácida e volúvel, mas mansa e tempestuosa. O furacão da dúvida. A tempestade.

Foto (c) Joaquim Eduardo Oliveira, Avenida dos Combatentes, Lisboa, Maio 2008