Até ao fundo

(c) Rene Burri, La Jolla, 1979/Magnum Photos

Faço, de quando em vez, alguns silêncios. Finjo-me sombra, calado. No que é meu, apenas as mãos são liberdade. Os meus passos não são movimento. Antes fogem de si próprios, como a água do rio que ensaia sempre escapar-se do seu leito. Ao fundo, eu sou a pedra ao fundo desse rio. Sou o que resta das margens. A sombra, sim, a sombra quieta de mim mesmo. E, quando passo, não me vês, nem eu a ti. E, se nos trocarmos olhares, será engano por certo. Sim. Será engano.

JEO

2 comentários:

  1. Silêncios de ódios
    batem enfurecidos
    nas paredes brancas do quarto.

    Se ao menos
    estalasse uma corrente de obscenidades.

    Toda a raiva acumulada
    em ofensas mudas
    rebentasse muros e portões
    e saísse rua abaixo,
    rolando no meio do lixo acumulado
    em anos de desamor

    Pois é.
    Mas tudo vai continuar
    assim.

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  2. De onde te vem toda essa força,todo esse silêncio e raiva maria? Consegues respirar?


    JEO

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