
(c) Rene Burri, La Jolla, 1979/Magnum Photos
Faço, de quando em vez, alguns silêncios. Finjo-me sombra, calado. No que é meu, apenas as mãos são liberdade. Os meus passos não são movimento. Antes fogem de si próprios, como a água do rio que ensaia sempre escapar-se do seu leito. Ao fundo, eu sou a pedra ao fundo desse rio. Sou o que resta das margens. A sombra, sim, a sombra quieta de mim mesmo. E, quando passo, não me vês, nem eu a ti. E, se nos trocarmos olhares, será engano por certo. Sim. Será engano.
JEO
Silêncios de ódios
ResponderEliminarbatem enfurecidos
nas paredes brancas do quarto.
Se ao menos
estalasse uma corrente de obscenidades.
Toda a raiva acumulada
em ofensas mudas
rebentasse muros e portões
e saísse rua abaixo,
rolando no meio do lixo acumulado
em anos de desamor
Pois é.
Mas tudo vai continuar
assim.
De onde te vem toda essa força,todo esse silêncio e raiva maria? Consegues respirar?
ResponderEliminarJEO